Programa de Monitoramento Participativo nas Unidades de Conservação do Programa Bolsa Floresta – PPDUC
Municípios envolvidos: Anori, Barcelos, Beruri, Borba, Carauari, Coari, Codajás, Eirunepe, Fonte Boa, Ipixuna, Iranduba, Itapiranga, Japurá, Juruá, Jutaí, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Maraã, Maués, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, São Sebastião do Uatumã, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini
Em 2009, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) iniciaram a prática voltada para a sensibilização dos beneficiários do Programa Bolsa Floresta (PBF), criado pelo Governo do Amazonas em 2007, sobre a relevância de manter a floresta em pé.
Os beneficiários do PBF assinaram acordo de compromisso voluntário que incluiu: ser reconhecido pela associação de moradores, ser morador da unidade de conservação há pelo menos dois anos, garantir a frequência de filhos em idade escolar em
escola próxima, participar das oficinas do PBF e das associações, e não abrir novos roçados em áreas de floresta primária (somente em capoeiras).
A prática visa monitorar a implementação do PBF a partir de coleta de dados periódica somada ao envolvimento comunitário com a adoção de metodologia adequada à realidade ribeirinha. Abrange área de mais de 10 milhões de hectares envolvendo 570 comunidades de 16 unidades de conservação (UCs) estaduais.
Os objetivos do PPDUC são: o monitoramento do acordo de compromisso voluntário entre o PBF e as comunidades, a identificação das áreas prioritárias de maior pressão de desmatamento, o fornecimento de dados e subsídios técnicos às ações de educação ambiental nas UCs, o envolvimento das comunidades do PBF em monitoramento e gestão territorial participativa,
bem como a contribuição para a transparência do PBF. A prática é dividida em dois componentes: sensoriamento remoto e envolvimento comunitário. O primeiro utiliza dados dos satélites, metodologias de processamento e análise de dados oficiais para
gerar informações e mapas do uso do solo das áreas do PBF. Por suas metodologias específicas, o PPDUC permite “enxergar” desmatamentos menores do que cinco hectares – padrão dos ribeirinhos – e este aspecto configura uma inovação. O componente comunitário se dá por meio de treinamentos e mapeamento participativo, visando aumentar a consciência ambiental
dos participantes, qualificar os dados de desmatamento e engajá-los nos processos de gestão de áreas protegidas. Os treinamentos são dados a jovens na faixa de 15 a 18 anos em oficinas anuais de cinco dias. Os jovens aprendem noções básicas de cartografia, processamento de imagens e a usar formulário específico, desenvolvido em parceria com a empresa Google, em smartphones. A qualificação dos dados é feita por esses jovens capacitados e os mapas gerados são validados pelas
comunidades em oficinas participativas.
O envolvimento das comunidades beneficiadas, por meio da geração de dados quantitativos, empoderamento e capacitação em gestão territorial, apoiou as metas ambientais como a queda em 79% nas taxas de desmatamento (de 7,45 km² no período de 2007-2010 para 4,15 km² entre 2011-2014). Os desdobramentos sociais e institucionais resultaram em envolvimento direto em cinco UCs estaduais de mais de 12 comunidades, 15 lideranças comunitárias e mais de 15 jovens capacitados. Permitiu também aumento da autonomia e da qualidade de participação dos comunitários nas discussões de gestão territorial, que passaram a requisitar apoio e demandar respostas eficientes aos agentes públicos no que se refere à fiscalização e às políticas públicas de conservação.
A prática, que conta com apoio de entidades privadas e da sociedade civil, gerou ainda impacto econômico positivo em Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), como a do Juma e a do rio Negro. A RDS do Juma poderá ser a primeira certificada nos padrões FSC-Conservação (análise das ferramentas de gestão), abrindo novas portas de captação de recursos internacionais para apoiar atividades de gestão e geração de renda. Na RDS do rio Negro, está em andamento a certificação do manejo de madeira.
VEJA O VÍDEO DESTA PRÁTICA
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