Formar Florestal

Categoria: Educação Ambiental

Modalidade: Organização da sociedade civil

Executor: Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB

Estado: Pará

Municípios envolvidos: Alenquer, Almeirim, Altamira, Aveiro, Belterra, Faro, Itaituba, Jacaeacanga, Monte Alegre, Novo Progresso, Óbidos, Oriximiná, Porto de Moz, Prainha, Rurópolis, Santarém, Trairão

Período: início em 2014, com previsão de término em 2016

Parceiros: Cooperativa Mista da Flona do Tapajós – COOMFLONA, Instituto Federal do Pará – IFPA Campus Castanhal, Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém

Antecedentes

Os modelos de desenvolvimento econômico no oeste do Estado do Pará, marcados por situações de conflito e violência no campo, configuraram um território onde as populações locais encontram dificuldade para a reprodução econômica, social, política e cultural de seus modos de vida. No âmbito da educação, por exemplo, as grades curriculares e os cursos estabelecidos nas instituições de ensino em sua maioria não priorizam o diálogo com as diferentes realidades camponesas, dificultando o fortalecimento de práticas sustentáveis de uso dos recursos da floresta.

É neste cenário que ocorre o processo de formação do curso Formar Florestal, resultado de parceria celebrada entre o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e o Instituto Federal do Pará (IFPA) Campus Castanhal por meio de um termo de cooperação técnica no âmbito da formação profissional.

Objetivos e Principais Atividades

Com base na socialização, disseminação e construção de conhecimentos a partir do contexto regional, a prática promove a formação de lideranças comunitárias, jovens e adultos que moram e/ou atuam nos territórios
amazônicos.

A formação abrange aspectos técnicos, organizacionais, políticos e culturais visando fortalecer o manejo e a governança florestal comunitária no Pará.

A ação prioritária é com o público que atua em unidades de conservação, territórios indígenas, quilombolas e projetos de assentamento a fim de consolidar e fortalecer frentes formadas por sindicatos, cooperativas e associações de moradores como agentes multiplicadores das práticas do manejo florestal comunitário e familiar (MFCF).

O curso de 400 horas utiliza metodologia de alternância pedagógica e a modalidade de Formação Inicial e Continuada (FIC). Os eixos temáticos que orientam o curso são distribuídos em até cinco módulos e isso possibilita que os participantes discutam e reflitam sobre os temas em sala de aula e também apliquem e problematizem esse conteúdo em suas comunidades e organizações. A formação se dá, assim, por meio da reflexão e da ação.

Resultados

A parceria entre o IEB e o IFPA Campus Castanhal permitiu maior aproximação da academia com as comunidades que praticam o MFCF no Estado. A aprovação do curso Formar Florestal na grade curricular do IFPA sinaliza uma conquista e demonstra
caminhos na consolidação de um modelo de ensino diferenciado, voltado à temática florestal no Pará. Apresenta a possibilidade de replicar a formação nos diferentes campi, já que o mesmo está internalizado na instituição de ensino com o projeto político-pedagógico aprovado pelo Conselho Superior de Educação. Tal experiência possibilitou o reconhecimento da importância do tema do MFCF dentro do próprio instituto, que também é o responsável pela certificação e oferta da formação por
outras instituições.

No período de dois anos foi possível concretizar a formação de duas turmas envolvendo 50 jovens e adultos, que indicam que a vivência no curso os motivou na retomada dos estudos. Nas turmas surgiu a discussão em torno da criação de uma rede física e digital que terá como finalidade constituir um espaço de debate sobre governança florestal nos territórios. Outro resultado transversal da formação foi a inclusão digital intergeracional onde, nas redes sociais, educandos e educandas promovem a visibilidade de suas ações, agendas e denúncias. Nesta direção, por exemplo, participantes produzem boletim físico, mantêm uma fanpage e uma rádio comunitária a partir da Associação da Comunidade de Juruti Velho (Acorjuve).

Jovens na faixa de 20 anos da Resex Verde para Sempre, em Porto de Moz, colaboraram na criação e assumiram a responsabilidade de dirigir uma cooperativa de produção e negociação de madeira, voltada para a valorização do MFCF. Este
era um objetivo antigo da comunidade e a iniciativa da cooperativa contribuiu para melhorar a qualidade de vida, a organização, a saúde e o aumento da renda dos cooperados.

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